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África foi diminuída no mapa do mundo

LUANDA (O SECRETO)  — Durante mais de 450 anos, uma das representações cartográficas mais conhecidas do planeta ajudou a criar uma percepção distorcida sobre o verdadeiro tamanho de África. A chamada projecção de Mercator, criada no século XVI para facilitar a navegação, amplia visualmente os territórios próximos dos pólos e reduz, em termos comparativos, a percepção da dimensão do continente africano

África é muito maior do que aparece em muitos dos mapas que durante gerações foram utilizados nas escolas, nos livros e nos meios de comunicação. A diferença não está no território, mas na forma como a superfície curva da Terra é transferida para uma representação plana.

A projecção de Mercator, desenvolvida em 1569 pelo cartógrafo Gerardus Mercator, tornou-se uma das mais influentes representações cartográficas da história. Embora tenha sido criada para responder a necessidades de navegação marítima, o seu uso generalizado acabou por transformar uma solução técnica numa imagem global do planeta.

O resultado é conhecido: quanto mais próximo dos pólos, maior é a deformação das áreas. A Gronelândia, por exemplo, pode parecer visualmente comparável a África em determinados mapas, apesar de o continente africano possuir uma área várias vezes superior. A Rússia, o Canadá e outros territórios setentrionais também aparecem visualmente ampliados.

África, com cerca de 30,3 milhões de quilómetros quadrados, é o segundo maior continente do planeta. A sua dimensão real torna-se particularmente evidente quando é comparada com outras regiões que, nos mapas convencionais, parecem ter proporções semelhantes ou até superiores.

A questão, contudo, não pode ser reduzida à ideia de que Mercator foi criada para “diminuir África”. A projecção tinha uma finalidade essencialmente náutica e apresentava vantagens importantes para os navegadores. O problema está na utilização posterior de uma representação concebida para uma finalidade específica como se fosse uma imagem exacta das dimensões territoriais do mundo.

A discussão sobre a representação de África ganhou novo impulso com mapas e projecções que procuram preservar melhor as áreas reais dos continentes. Entre elas está a projecção de Gall-Peters, embora também produza outros tipos de deformação, lembrando que nenhuma representação plana consegue reproduzir sem distorções a superfície esférica da Terra.

A pergunta que fica é simples, mas histórica: durante quantas gerações o mundo aprendeu a olhar para África através de um mapa que não traduzia correctamente a sua dimensão territorial?

Mais do que uma questão de cartografia, o debate revela como os mapas podem influenciar a percepção que as sociedades constroem sobre o espaço, a geografia e o peso territorial dos continentes.

O continente africano, que ocupa uma vasta extensão territorial, tem sido frequentemente apresentado em mapas convencionais com dimensões visuais inferiores às reais. A correcção desta percepção representa, por isso, não apenas uma questão cartográfica, mas também uma oportunidade para compreender melhor a verdadeira dimensão geográfica de África no contexto mundial.

Referência oficial: Organização das Nações Unidas — Facebook: https://www.facebook.com/unitednations/

ONU em África — Facebook: https://www.facebook.com/UNOCAfrica/

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