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‎Empresa Indra é indicado novamente pela CNE para eleições de 2027 sem concurso público

‎A credibilidade dos processos eleitorais em Angola, voltou ao centro do debate público em Angola, na sequência de críticas levantadas sobre o papel da empresa espanhola Indra na gestão tecnológica das eleições.

Durante uma análise feita pelo académico Albino Pakissi, defendeu que a principal questão não é apenas técnica, mas sobretudo ética e política, relacionada com a transparência e a legitimidade do processo democrático.

‎Para Pakissi, a proclamação de vencedores eleitorais deve resultar de um processo amplamente transparente e acessível ao escrutínio público. Na sua perspetiva, quando os mecanismos de apuramento e divulgação de resultados não são suficientemente claros, a confiança dos cidadãos nas instituições fica fragilizada.

O académico recorda que a Constituição angolana estabelece que o poder político deve ser exercido por quem obtenha legitimidade através de um processo eleitoral livre e democrático, o que pressupõe transparência em todas as etapas.

‎ Um dos pontos mais criticados no debate é o processo de contratação da empresa responsável pela plataforma tecnológica das eleições. Para alguns analistas, a repetição da mesma empresa em vários ciclos eleitorais, sem um processo de concurso amplamente conhecido pelo público, levanta dúvidas e alimenta desconfianças nas redes sociais.

‎O filósofo, também questiona a disponibilidade pública de dados detalhados sobre os resultados eleitorais processados pelos sistemas tecnológicos utilizados. Na sua visão, a inexistência ou dificuldade de acesso a ficheiros completos com os resultados eleitorais impede uma verificação independente e limita o direito à informação dos cidadãos.

Outro aspeto mencionado é a percepção pública de que a empresa contratada mantém uma postura discreta no debate político, limitando-se ao papel de prestadora de serviços. Contudo, para alguns críticos, essa posição não elimina a necessidade de maior transparência sobre os procedimentos técnicos envolvidos no apuramento dos resultados.

‎Perante este cenário, Pakissi defende que o caminho para reforçar a confiança nas eleições passa por um diálogo mais amplo entre o Governo, partidos políticos e sociedade civil. Na sua opinião, a escolha da empresa responsável pela solução tecnológica eleitoral deveria resultar de um consenso alargado entre os principais actores do processo político.

‎No entanto, com as eleições de 2027 no horizonte, analistas consideram que garantir maior transparência e participação no desenho do sistema eleitoral poderá ser determinante para fortalecer a legitimidade democrática e reduzir as suspeitas que frequentemente surgem durante os períodos eleitorais.

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