A credibilidade dos processos eleitorais em Angola, voltou ao centro do debate público em Angola, na sequência de críticas levantadas sobre o papel da empresa espanhola Indra na gestão tecnológica das eleições.
Durante uma análise feita pelo académico Albino Pakissi, defendeu que a principal questão não é apenas técnica, mas sobretudo ética e política, relacionada com a transparência e a legitimidade do processo democrático.
Para Pakissi, a proclamação de vencedores eleitorais deve resultar de um processo amplamente transparente e acessível ao escrutínio público. Na sua perspetiva, quando os mecanismos de apuramento e divulgação de resultados não são suficientemente claros, a confiança dos cidadãos nas instituições fica fragilizada.
O académico recorda que a Constituição angolana estabelece que o poder político deve ser exercido por quem obtenha legitimidade através de um processo eleitoral livre e democrático, o que pressupõe transparência em todas as etapas.
Um dos pontos mais criticados no debate é o processo de contratação da empresa responsável pela plataforma tecnológica das eleições. Para alguns analistas, a repetição da mesma empresa em vários ciclos eleitorais, sem um processo de concurso amplamente conhecido pelo público, levanta dúvidas e alimenta desconfianças nas redes sociais.
O filósofo, também questiona a disponibilidade pública de dados detalhados sobre os resultados eleitorais processados pelos sistemas tecnológicos utilizados. Na sua visão, a inexistência ou dificuldade de acesso a ficheiros completos com os resultados eleitorais impede uma verificação independente e limita o direito à informação dos cidadãos.
Outro aspeto mencionado é a percepção pública de que a empresa contratada mantém uma postura discreta no debate político, limitando-se ao papel de prestadora de serviços. Contudo, para alguns críticos, essa posição não elimina a necessidade de maior transparência sobre os procedimentos técnicos envolvidos no apuramento dos resultados.
Perante este cenário, Pakissi defende que o caminho para reforçar a confiança nas eleições passa por um diálogo mais amplo entre o Governo, partidos políticos e sociedade civil. Na sua opinião, a escolha da empresa responsável pela solução tecnológica eleitoral deveria resultar de um consenso alargado entre os principais actores do processo político.
No entanto, com as eleições de 2027 no horizonte, analistas consideram que garantir maior transparência e participação no desenho do sistema eleitoral poderá ser determinante para fortalecer a legitimidade democrática e reduzir as suspeitas que frequentemente surgem durante os períodos eleitorais.

