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Exposição de conteúdos impróprios dos medias a crianças preocupa especialistas em Angola

LUANDA (O SECRETO) – Especialistas, professores, educadores de infância e encarregados de educação alertaram, neste sábado, 21 de Março, para o crescente acesso de crianças angolanas a conteúdos infantis considerados impróprios, situação que pode influenciar negativamente o seu desenvolvimento emocional, social e académico.

As preocupações foram manifestadas durante a realização de um Show Infantil na Escola Ascensão Nicol, evento que marcou o encerramento do segundo trimestre lectivo e em que reuniu membros da comunidade educativa e cultural.

Para os participantes, a rápida expansão do uso de telemóveis e tablets entre crianças, muitas delas ainda em idade pré-escolar, tem facilitado o consumo de conteúdos digitais sem acompanhamento adequado dos adultos. A ausência de mecanismos eficazes de fiscalização e orientação parental foi apontada como um dos factores que contribuem para a exposição precoce a mensagens, imagens e comportamentos que não correspondem à faixa etária infantil.

Num país onde a maioria da população é jovem, especialistas defendem que a questão deve ser encarada como um desafio social e educativo urgente. Para os intervenientes, a vulnerabilidade das crianças a influências externas, sobretudo através das plataformas digitais e redes sociais, pode afectar a formação de valores, o rendimento escolar e a construção da identidade cultural.

Em declarações ao jornal O Secreto, Rube Piero, membro do projecto Baú da Diversão, actor e conhecido como “Príncipe da Alegria”, afirmou que a sociedade em geral e o Ministério da Cultura, em particular, têm responsabilidades na regulamentação e supervisão da produção de conteúdos destinados ao público infantil. O artista considera que a inexistência de normas claras e de um acompanhamento rigoroso permite que materiais inadequados sejam produzidos e difundidos com facilidade.

Rube Piero defendeu a necessidade de maior envolvimento das autoridades civis e tradicionais na promoção de iniciativas educativas e culturais voltadas para a infância, bem como o reforço de políticas públicas que incentivem a criação de conteúdos pedagógicos e recreativos seguros. Para ele, investir na qualidade do entretenimento infantil é também investir no futuro do país.

Os encarregados de educação presentes no evento destacaram ainda a importância do diálogo familiar, da supervisão no uso de dispositivos electrónicos e da valorização de actividades lúdicas presenciais, como jogos educativos, leitura e espectáculos culturais apropriados à idade. Educadores sublinharam que a cooperação entre famílias, escolas e governo é essencial para garantir ambientes digitais mais protegidos e contribuir para o desenvolvimento integral das crianças angolanas.

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