Em Angola, ser técnico superior em fisioterapia continua a ser um desafio de sobrevivência, com um salários que variam entre 120 e 130 mil kwanzas mensais, profissionais formados, dedicados e essenciais no processo de recuperação de pacientes vivem uma realidade marcada pela desvalorização, baixos rendimentos e falta de reconhecimento governamentais.
“Nós não somos vistos como profissionais importantes, mas somos quem tira o paciente da cama e o devolve à sociedade”, disse um fisioterapeuta ao jornal O Secreto, visivelmente indignado com a forma como o Estado trata a classe. A profissão, embora indispensável na reabilitação de doentes, permanece invisível aos olhos das autoridades e da própria sociedade.
O jornal O Secreto apurou que, em várias unidades hospitalares do país, há fisioterapeutas a trabalhar em condições precárias, muitas vezes sem o material básico para o exercício da profissão. Apesar da responsabilidade que carregam,como, lidar com pacientes em recuperação pós-cirúrgica, vítimas de AVC ou acidentes graves —, recebem remunerações que mal cobrem as despesas de transporte e alimentação.
“Sobrevivemos com o que ganhamos, mas é um salário que não dignifica o nosso esforço nem a nossa formação”, desabafou outro técnico, acrescentando que “a maioria dos fisioterapeutas vive endividada ou depende de pequenos negócios paralelos para sustentar a família”.
A situação é ainda mais crítica nas províncias, onde há escassez de profissionais e condições de trabalho. “Em algumas maternidades, há apenas um fisioterapeuta para toda a unidade. Há bebés que correm risco de vida por falta de intervenção adequada”, revelou uma fonte ao jornal O Secreto.
O drama dos fisioterapeutas é o reflexo de um sistema de saúde em colapso silencioso, onde os baixos salários e a ausência de políticas de valorização empurram profissionais para o desânimo. Médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório e de fisioterapia enfrentam o mesmo problema: a discrepância entre o peso da responsabilidade e a leveza dos rendimentos.
O jornal O Secreto, apurou em uma fonte, que ainda não há qualquer plano de revisão salarial específico para os fisioterapeutas, nem incentivos à especialização ou progressão na carreira. A profissão continua fora das prioridades orçamentais do Ministério da Saúde, apesar da importância que tem no processo de reabilitação e reintegração dos pacientes.
“Somos técnicos superiores, estudamos anos, lidamos com vidas, mas somos pagos como auxiliares. Isso é humilhante”, afirmou um profissional com mais de dez anos de serviço público, que pediu anonimato.
Para muitos, o futuro é incerto. Jovens formados em fisioterapia preferem mudar de área ou emigrar para países onde a profissão é respeitada e valorizada. “Esperamos que as portas se abram e que as coisas comecem a mudar, mas, neste momento, o sentimento é de abandono total”, confessou outro fisioterapeuta ao jornal O Secreto.
Por outro lado, a situação destes profissionais é o espelho de um sistema nacional de saúde fragilizado, onde os heróis da recuperação física e emocional dos doentes lutam para não sucumbir à própria precariedade. O país que precisa deles para devolver vidas à normalidade é o mesmo que os empurra para a sobrevivência com salários de miséria.
No entanto, o governo enquanto não valorizar a fisioterapia, e não for uma prioridade, Angola continuará a curar feridas físicas com as mãos cansadas de quem já perdeu a esperança, mas ainda insiste em cuidar.



