LUANDA (O SECRETO) – Um navio porta-contêineres da armadora francesa CMA CGM foi atingido por um suposto míssil de cruzeiro na terça-feira, no estratégico Estreito de Ormuz, elevando ainda mais a tensão numa das rotas energéticas mais sensíveis do mundo.
Segundo a empresa, a embarcação San Antonio sofreu danos após o impacto, que deixou vários tripulantes feridos. Não há, até ao momento, confirmação independente sobre a autoria do ataque, mas o incidente ocorre num contexto de escalada militar envolvendo o Irão e aliados ocidentais.
O episódio surge poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a suspensão do “Projeto Liberdade”, uma operação de escolta naval que havia sido lançada para proteger o tráfego comercial na região. A decisão, segundo Washington, foi motivada por sinais de progresso nas negociações com Teerão.
Apesar disso, o ataque reforça os riscos crescentes para a navegação internacional desde que o Irão intensificou o controlo do estreito no final de fevereiro, em resposta a ataques atribuídos a forças norte-americanas e israelitas. O Golfo Pérsico concentra uma parte significativa das exportações globais de petróleo, tornando qualquer instabilidade um fator crítico para os mercados internacionais.
Analistas alertam que a suspensão da escolta militar pode ter criado uma janela de vulnerabilidade para navios comerciais, ao mesmo tempo que expõe as limitações das atuais iniciativas diplomáticas. O ataque ao San Antonio evidencia que, apesar dos sinais de distensão, o risco de confrontos permanece elevado e imprevisível.
A comunidade internacional acompanha com preocupação a evolução dos acontecimentos, temendo impactos diretos no comércio global e no preço da energia, caso a insegurança na rota persista.

