Unicef estima que 680 mil crianças precisam de assistência imediata; hospitais, escolas, sistemas de água e o Aeroporto Internacional Simón Bolívar sofreram graves danos, enquanto equipas internacionais intensificam operações de resgate.
SÂO PAULO (O SECRETO) – Pelo menos 1.430 pessoas morreram, mais de 3,2 mil ficaram feridas e 1,8 milhão de habitantes necessitam de assistência humanitária urgente após os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela. A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que 680 mil crianças precisam de ajuda imediata, enquanto cerca de 3,9 milhões de menores vivem nas regiões afetadas. A tragédia destruiu hospitais, escolas, redes de abastecimento de água e provocou danos severos em infraestruturas estratégicas, incluindo oito hospitais e o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, dificultando a chegada de ajuda humanitária.
Segundo dados divulgados pelas Nações Unidas, os estados de La Guaira, Miranda, Carabobo, Yaracuy e a capital Caracas concentram os maiores níveis de destruição. Além das vítimas mortais e dos milhares de feridos, mais de 3,1 mil famílias ficaram desalojadas, enquanto as equipas de emergência continuam as operações de busca em edifícios colapsados.
As autoridades venezuelanas mantêm o estado de emergência em vigor, com medidas de evacuação e suspensão de serviços essenciais. Dados preliminares apontam que mais de 200 pessoas continuam soterradas, enquanto as constantes réplicas aumentam os riscos para as equipas de resgate e para a população.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou profundo pesar pela tragédia e garantiu que todo o sistema das Nações Unidas está mobilizado para apoiar o Governo venezuelano e os parceiros humanitários. O diplomata enviou condolências às famílias das vítimas e desejou rápida recuperação aos feridos.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que 25 equipas de resposta rápida, reunindo aproximadamente mil especialistas de vários países, foram destacadas para as zonas afetadas. Participam da operação profissionais provenientes do Chile, Colômbia, Equador, Países Baixos, Alemanha, França, Reino Unido, Espanha, República Checa, Itália, Jordânia, Catar, México e El Salvador, sob coordenação de especialistas da rede internacional de Avaliação e Coordenação de Desastres da ONU.
Para financiar as ações de emergência, o Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas libertou 15 milhões de dólares destinados ao reforço das operações de socorro.
A situação dos serviços de saúde é considerada crítica. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) refere que os hospitais atendem um elevado número de vítimas com fraturas, traumatismos cranianos, ferimentos por esmagamento, queimaduras e outras lesões provocadas pelo colapso de edifícios. A organização mantém equipas especializadas em prontidão para reforçar a resposta no terreno.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que até 6,67 milhões de pessoas poderão ser afetadas pelas consequências do desastre, sendo dois milhões apenas na cidade de Caracas. A entidade trabalha na avaliação dos danos e na distribuição de bens essenciais, considerando prioritárias as necessidades de abrigos temporários, água potável, saneamento, medicamentos e proteção das populações vulneráveis.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou que 3,9 milhões de crianças vivem nas áreas atingidas, sendo que 680 mil necessitam de assistência urgente. A diretora executiva da agência, Catherine Russell, classificou as imagens e os relatos provenientes da Venezuela como devastadores e reafirmou o compromisso da organização em apoiar as autoridades na proteção das crianças e adolescentes afetados pela catástrofe.
Por sua vez, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) mobilizou recursos humanos e materiais para apoiar as operações de emergência. A agência recorda que, no final de 2025, a Venezuela acolhia mais de 210 mil refugiados e requerentes de asilo, situação que aumenta os desafios humanitários provocados pelos terremotos.
Em testemunho à ONU News, o morador de Caracas Iván Pérez, que perdeu dois familiares sob os escombros, descreveu o ambiente de luto vivido no país. “Há muito choro e dor ao ver entes queridos partirem”, afirmou, acrescentando que, apesar da tragédia, acredita na capacidade de resiliência do povo venezuelano.

