LUANDA (O SECRETO) — Num recuo dramático da sua doutrina de “pressão máxima”, o Presidente Donald Trump suspendeu sanções ao petróleo iraniano em alto-mar, libertando 140 milhões de barris para venda global até 19 de abril. A medida, justificada pela escalada de preços causada pela guerra EUA-Israel contra Teerão, é vista por analistas como uma concessão de guerra que pode financiar o regime dos Aiatolás e agravar a crise energética em Angola.
O anúncio veio na sexta-feira (20), via licença geral do Tesouro americano, autorizando transações para petróleo carregado até 20 de março. Secretário Scott Bessent, em entrevista à Fox Business, afirmou: “Vamos usar os barris iranianos contra os iranianos para baixar os preços”. Mas a isenção não permite novas compras, e o Irã terá “dificuldade em acessar receitas”, segundo o Departamento do Tesouro.
Crise no Estreito de Ormuz
O conflito, deflagrado a 28 de fevereiro, paralisou o Estreito de Ormuz — artéria vital para 20% do petróleo mundial. Irã ameaça bloquear “uma gota” enquanto durarem os ataques, respondendo com drones e mísseis contra Israel e Arábia Saudita. Preços do Brent saltaram de 70 para 110 dólares/barril; nos EUA, gasolina roça 4 dólares/galão.
Vozes Críticas
“Absurdo: permitimos que o Irã venda petróleo para financiar a guerra”, critica David Tannenbaum, da Blackstone Compliance, à BBC. Edward Fishman (CFR) avisa: “Valida a estratégia de estrangulamento iraniano”. No Brasil, Hora do Povo chama de “recuo forçado” por Trump.
Em Angola, importador líquido de derivados, os preços sobem: gasóleo +15% em Luanda desde fevereiro, segundo Sonangol. Especialistas temem dependência asiática (China/Índia comprará o iraniano barato), adiando diversificação para gás e renováveis. “Risco geopolítico: guerra no Golfo inflaciona importações em 20-30%”, alerta economista local (estimativa baseada em AIE).
Apostas Políticas de Trump
Terceira isenção em duas semanas — após Rússia e Venezuela —, mais 172M barris da Reserva Estratégica e fim da Jones Act. Trump sinaliza “encerramento” militar: “Estamos perto dos objetivos, sem cessar-fogo”. Críticos veem fraqueza ante NATO “covarde” e aliados.
Para África, lição: urgência em SIREP e cabos submarinos para mitigar choques. A “concessão de Trump” expõe limites da sanção como arma — e vulnerabilidades angolanas.

