LUANDA (O SECRETO) – A UNITA divulgou nesta terça feita, 13 de Fevereiro, o “Relatório de Violações dos Direitos Humanos” durante a greve dos taxistas em 28, 29 e 30 de julho de 2025, documentando mais de 90 mortes em Luanda e outras cidades angolanas, atribuídas a ações repressivas policiais. O documento, resultado de um levantamento minucioso, expõe um padrão de abusos sob o mandato do Presidente João Lourenço, com 362 vítimas fatais por violência policial entre 2018 e 2025 – nomes e locais devidamente verificados pelas equipas de investigação da oposição.
Os factos centrais revelam tendências graves: uso excessivo da força, detenções arbitrárias, maus-tratos e execuções sumárias, com défice recorrente de responsabilização. “Não são números frios, mas angolanos com nomes”, enfatizou o Governo Sombra da UNITA no lançamento, enquadrando os eventos de julho num histórico de fragilidades estatais.
Dois casos emblemáticos destacam-se pela brutalidade. Em Cacuso, Malanje, uma criança morreu por disparo à queima-roupa de um alto oficial da Polícia Nacional, questionando a proteção infantil prevista na Constituição. Em Luanda, Maria Mubiala foi baleada pelas costas por um agente, tornando-se símbolo da vulnerabilidade cidadã perante abusos impunes.
O relatório apela à comunidade internacional, diplomatas e parceiros para monitorizar os direitos humanos em Angola com base em factos verificáveis. Dirigindo-se ao Executivo, forças de segurança, justiça e Assembleia Nacional, a UNITA alerta: “Ou há responsabilização e reformas, ou Angola perde vidas, credibilidade e futuro”. A oposição reafirma compromisso com luta pacífica, mas recusa silêncio face à injustiça, convocando debate nacional sobre o Estado que se constrói.

