No último domingo, 8 de março, data em que se celebrou o Dia Internacional da Mulher, o clima de homenagem foi marcado por denúncias feitas por mulheres que exercem o comércio informal no chamado Mercado dos Chineses, também conhecido como Praça Nova, localizado na Estalagem, município de Viana, em Luanda.
As vendedoras relatam dificuldades estruturais que refletem a realidade enfrentada por milhares de mulheres angolanas que sustentam suas famílias por meio de pequenos negócios. Entre elas estão mães de família, comerciantes e até mulheres com participação ativa na vida política e comunitária. A principal queixa aponta para a escassez de mercados formais com condições adequadas para que possam desenvolver as suas atividades de forma segura e rentável.
Em declarações ao Jornal O Secreto, a feirante Fineza Teca Serafim, que há mais de oito anos trabalha no Mercado dos Chineses, afirmou que as comerciantes têm encaminhado vários pedidos ao Ministério da Indústria e Comércio de Angola e a entidades que defendem os direitos das mulheres e dos pequenos comerciantes, solicitando soluções concretas para a situação.
Dados avançado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), cerca de 90% das pessoas que atuam em determinados setores do comércio informal em Angola são mulheres. Muitas delas dependem exclusivamente de atividades de pequeno porte para garantir o sustento das suas famílias.
Sem acesso a espaços apropriados para vender, várias comerciantes são obrigadas a expor os seus produtos em calçadas e vias públicas, o que as deixa vulneráveis a multas, apreensões de mercadorias e, em alguns casos, a episódios de violência verbal e física durante operações de fiscalização.
Para Fineza Serafim, o principal apelo das mulheres que atuam no mercado informal é por dignidade e reconhecimento. “Não queremos trabalhar e vender como se fôssemos objetos. Precisamos de espaços onde possamos exercer o nosso trabalho com dignidade e garantir um rendimento capaz de cobrir as necessidades básicas das nossas famílias”, concluiu.
As comerciantes esperam que as autoridades competentes reforcem políticas públicas voltadas para a formalização do comércio informal e para a criação de mercados organizados, capazes de oferecer melhores condições de trabalho às milhares de mulheres que sustentam a economia familiar em Angola.

