LUANDA (O SECRETO) — A cidade capital acolhe, entre os dias 23 a 25 deste mês, o 1º Congresso Internacional de Fisioterapia, um evento histórico que visa valorizar e dar visibilidade à profissão de fisioterapeuta em Angola. A iniciativa é da Associação Nacional dos fisioterapeutas de Angola e, conta com a produção da Urus Eventos.
Em declarações ao nosso Jornal, a presidente da Associação Nacional dos Fisioterapeutas de Angola (ANFA), Victória Fortunato, destacou a importância do evento. “O lema do nosso congresso é a valorização da carreira. A fisioterapia é uma especialidade que acompanha o paciente desde o leito hospitalar até a sua plena reintegração em casa. Precisamos de reconhecimento e de serviços estruturados para continuar a exercer com dignidade a nossa profissão”, afirmou.
Pré-cursos e Formação Contínua
O congresso foi antecedido por curos Pré-congresso, iniciados hoje (20), com continuidade até o dia 22 de outubro. “Temos pré-cursos a decorrer nestes três dias. A formação é fundamental para garantir que os profissionais estejam atualizados e alinhados com as práticas internacionais”, explicou a Presidente da ANFA.
O evento conta com palestrantes internacionais vindos do Brasil, Portugal, Zâmbia, RDC, Tanzânia e da própria Angola. “Hoje, por exemplo, tivemos o Dr. Gustavo Pilon, do Brasil, e amanhã teremos a Dra. Patrícia, portuguesa, actualmente residente na Holanda. Esta troca de experiências é essencial para o crescimento da nossa profissão”, acrescentou.
Reconhecimento e Desafios
Segundo a presidente da ANFA, apesar de avanços, os fisioterapeutas angolanos ainda enfrentam desafios significativos. “Já fomos mais desvalorizados, mas as portas estão a abrir-se. Solicitámos o reconhecimento de 11 especialidades dentro da fisioterapia à WIMP, com provisão para começarmos já em novembro com 50 profissionais”, destacou.
Outro ponto crítico mencionado foi a falta de apoio para o Congresso. “A nossa previsão era de receber cerca de 800 participantes no congresso. Apesar das limitações logísticas e do pouco apoio, estamos a seguir com o que temos”, comentou.
Capacitação e Apoio Empresarial
A Urus Eventos, responsavél pela produção do evento, vê a formação como investimento essencial. Segundo Mauro Fortunato, Director do Grupo LM Seres, “a nossa aposta na fisioterapia deve-se à visão empresarial: sem saúde, não há produtividade. É fundamental capacitar e formar profissionais da área da saúde”.
O responsável salientou ainda o sucesso da adesão. “Estamos com mais de 300 inscritos confirmados e mais de 500 pré-inscrições. A organização está a 80% concluída, e já temos todos os espaços reservados. Esperamos um evento bonito e com impacto positivo para os profissionais de saúde”, concluiu.
Formação Académica em Fisioterapia
O curso de fisioterapia em Angola tem duração de quatro anos e está orientado para a prática baseada em evidências. Os estudantes passam por estágios em contextos hospitalares, ambulatórios e áreas como hidroterapia. “Preparamos os estudantes para enfrentar os desafios reais da reabilitação. A integração em equipas multidisciplinares é cada vez mais necessária, e já temos cursos de mestrado focados nesta área”, explicou a Coordenadora do Curso de Fisioterapia da UPRA.
No entanto, O 1º Congresso Internacional de Fisioterapia em Angola representa um passo importante na luta pelo reconhecimento da profissão, reforçando o papel dos fisioterapeutas no sistema de saúde e promovendo a formação contínua como pilar de desenvolvimento. Apesar das dificuldades, a determinação dos profissionais e o apoio de parceiros mostram que investir na saúde é investir no futuro do país.
O evento, acontece está Quinta-Feira 23 de Outubro e estende-se até Sábado 25.


