António José Seguro vence primeira volta com 31,1%, mas André Ventura surpreende ao garantir o segundo lugar com 23,5%. Pela primeira vez em 40 anos, a eleição presidencial não se resolveu à primeira tentativa.
LISBOA (O SECRETO) – A noite de 18 de janeiro de 2026 ficará marcada nos livros de história da democracia portuguesa. Após quatro décadas de decisões à primeira volta, os portugueses ditaram um novo cenário: um duelo direto entre o centro-esquerda moderado e a direita radical. O antigo líder do PS, António José Seguro, e o líder do Chega, André Ventura, disputarão a Presidência da República no próximo dia 8 de fevereiro.
Os Números da Noite
Com 100% das freguesias apuradas (incluindo o consulado do estrangeiro), os resultados confirmam uma fragmentação sem precedentes à direita e uma resiliência inesperada de Seguro:
| Candidato | Votos | Percentagem |
| António José Seguro | 1.754.892 | 31,11% |
| André Ventura | 1.326.643 | 23,52% |
| João Cotrim de Figueiredo | 902.562 | 16,00% |
| Henrique Gouveia e Melo | 695.088 | 12,32% |
| Luís Marques Mendes | 637.391 | 11,30% |
O “Terramoto” no Centro-Direita
A grande derrota da noite pertence ao “centro” tradicional. Luís Marques Mendes, apoiado oficialmente pelo PSD e CDS-PP, terminou num modesto quinto lugar. O resultado foi descrito pelo próprio como uma “derrota pessoal pesada”, assumindo a total responsabilidade pelo fracasso em mobilizar o eleitorado moderado.
Por outro lado, João Cotrim de Figueiredo (IL) conseguiu um resultado histórico para os liberais, superando os 15%, mas insuficiente para travar a subida de Ventura. Já o Almirante Gouveia e Melo, que durante meses liderou as sondagens de popularidade, não conseguiu converter o seu perfil institucional em votos, ficando fora da corrida final.
Discursos: “União” vs “Rutura”
Na sua sede de campanha, António José Seguro adotou um tom de Estado, afirmando que a sua candidatura é “para todos os portugueses” e que representa a barreira contra os extremismos. “Venceu a democracia, mas o desafio agora é unir o país e evitar divisões profundas”, declarou.
Já André Ventura celebrou o resultado como o “fim do sistema”. No seu discurso, foi incisivo: “Seguro representa tudo o que o país deve rejeitar. Esta não é apenas uma luta do Chega, é uma luta de todos os que querem acabar com o socialismo que corrompe Portugal”. O candidato prometeu tentar agregar todos os votos da direita (IL e PSD) para a segunda volta.
O Factor Abstenção
Apesar do clima de alta tensão política, a abstenção fixou-se nos 47,6% (participação de 52,4%). Embora ligeiramente inferior à de 2021 (que ocorreu em plena pandemia), o número continua a preocupar os analistas, revelando que quase metade do país não se sentiu representada pelas 11 opções no boletim de voto.
O que esperar até 8 de fevereiro?
As próximas três semanas serão de uma campanha intensa. O foco estará agora no eleitorado de Marques Mendes e Cotrim de Figueiredo. Enquanto o PSD de Luís Montenegro já deu sinais de que não dará indicações de voto formais, o peso do “voto útil” será o fiel da balança.


