Estudantes do curso de Gestão e Administração Pública da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, UAN, denunciam um prolongado impasse académico que, segundo afirmam, tem comprometido a progressão de centenas de alunos ao longo de vários anos.
De acordo com os estudantes, o problema está ligado à disciplina Introdução às Ciências Sociais e Humanas (ICSH), lecionada pelo professor Manuel Vieira. Os alunos alegam que o docente reprova sistematicamente estudantes que desenvolvem análises e teses sociológicas próprias, exigindo respostas estritamente baseadas na reprodução literal dos autores, em formato de copy paste, sem espaço para interpretação crítica.
Os estudantes afirmam ainda que o professor é responsável pelo maior número de repetentes (“cadeirantes”) da faculdade, enviando centenas de alunos para o exame de recurso. Segundo as denúncias, mesmo após o pagamento do recurso, muitos acabam reprovados novamente, prolongando o tempo de permanência na universidade.
A situação agravou-se nesta terça-feira, 28 de janeiro de 2026, data marcada para a realização da segunda prova (P2) da disciplina. Segundo os estudantes, mais de 80 alunos foram considerados reprovados apenas com base na média da P1, sendo-lhes negado o direito de realizar a P2, sob alegação de reprovação direta.
O cenário é particularmente crítico para os estudantes do 2.º ano do período diurno, uma vez que, segundo o regulamento interno da UAN, alunos com pelo menos uma disciplina em atraso não transitam para o 3.º ano, sendo obrigados a permanecer mais um ano apenas para concluir a cadeira em falta.
Os estudantes afirmam que já recorreram ao Departamento de Gestão e Administração Pública e ao Decano da Faculdade de Ciências Sociais, mas alegam não ter havido até ao momento qualquer posicionamento público ou solução concreta para o problema.
Temendo mais um “desastre académico”, os alunos apelam à intervenção urgente das autoridades académicas da UAN, defendendo critérios de avaliação justos, transparência no processo avaliativo e o respeito pelo direito dos estudantes à realização das provas regulamentares.


