A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, apelou à criação de uma zona de livre comércio entre os Estados Unidos e a União Europeia e instou Bruxelas a adotar o acordo de Turnberry firmado com Washington no verão passado, segundo a Bloomberg.
A proposta surge num momento de renovada tensão comercial transatlântica. Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou as tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump ao abrigo da International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), entendendo que o recurso à legislação não se enquadrava nos critérios previstos.
Na sequência da decisão, Trump avançou com novas tarifas sob a Section 122 of the Trade Act of 1974, mecanismo que permite a imposição temporária de restrições comerciais para enfrentar desequilíbrios na balança de pagamentos. A medida reacendeu críticas na Europa, que vê no gesto um desvio dos compromissos assumidos no acordo político alcançado em Turnberry.
O chamado acordo de Turnberry, negociado no verão passado como tentativa de estabilizar as relações comerciais, previa a suspensão de tarifas adicionais e a criação de um quadro de cooperação mais previsível.
Por outro lado, o comité de Comércio Internacional do Parlamento Europeu decidiu congelar a ratificação do entendimento, alegando que as novas taxas impostas por Washington não respeitam o espírito nem os termos acordados.
Meloni defende que a resposta europeia deve passar por maior integração económica com os EUA, argumentando que uma zona de livre comércio transatlântica reforçaria a competitividade das duas economias e reduziria a incerteza regulatória. A proposta, porém, enfrenta resistência entre eurodeputados que exigem garantias jurídicas claras antes de qualquer avanço formal.
O impasse coloca pressão adicional sobre as relações comerciais entre Bruxelas e Washington, num contexto em que ambos os lados procuram equilibrar interesses estratégicos, industriais e geopolíticos.


