Soliya Selende Lumumba denuncia alegada intimidação política após invasão de viatura na Caála

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LUANDA (O SECRETO) – O secretário provincial do PRS no Huambo, Soliya Selende Lumumba, denunciou ter sido alvo de uma nova alegada acção de intimidação durante a madrugada desta sexta-feira, na centralidade da Caála, depois de indivíduos ainda não identificados terem sido vistos no interior da sua viatura sob alegada protecção de agentes policiais armados.

O episódio, ocorrido por volta das 2h00 da manhã, está a gerar forte inquietação nos meios políticos locais devido aos contornos invulgares da ocorrência e às suspeitas de envolvimento de efectivos da Polícia Nacional. Segundo o dirigente político, uma pessoa permaneceu vários minutos no interior da sua Toyota TXL branca utilizando uma lanterna, enquanto dois homens armados mantinham vigilância nas proximidades, transportando-se numa motorizada alegadamente pertencente à esquadra da centralidade da Caála.

A movimentação chamou atenção de jovens residentes no edifício, que estranharam a presença dos homens junto da viatura e tentaram contactar Soliya Lumumba. Sem resposta, devido ao facto de o político estar a dormir, acabaram por enviar uma mensagem de alerta. Minutos depois, ao perceberem que estavam a ser observados a partir da janela do apartamento, os indivíduos reduziram a luz da lanterna até apagá-la completamente e abandonaram o local.

Já pelas 5h00 da manhã, o secretário provincial do PRS deslocou-se à viatura acompanhado por um dos moradores que testemunhou a situação. No local, encontrou uma das portas traseiras aberta, documentos espalhados no interior do carro e o sistema de tranca danificado.

Apesar de nenhum bem ter sido roubado, o dirigente considera o caso demasiado atípico para ser tratado como uma simples tentativa de furto. A ausência de interesse em objectos de valor, associada à manipulação do interior da viatura, levanta suspeitas de uma eventual acção de intimidação, monitoramento ou tentativa de comprometimento do visado.

O aspecto mais delicado da denúncia surge, porém, na alegação de que um agente policial presente posteriormente no local terá confirmado ter visto colegas da corporação nas proximidades da viatura durante a madrugada. Caso venha a ser comprovado, o episódio poderá agravar as preocupações em torno da neutralidade das forças de segurança perante actores políticos da oposição.

Nos últimos anos, dirigentes partidários e activistas têm denunciado episódios semelhantes de vigilância e pressão indirecta, sobretudo em períodos de maior tensão política. Ainda assim, grande parte dessas denúncias termina sem esclarecimentos públicos ou responsabilizações, alimentando um clima persistente de desconfiança entre sectores da oposição e instituições do Estado.

No Huambo, o caso envolvendo Soliya Selende Lumumba já começa a provocar reacções nos bastidores políticos, numa fase em que os partidos intensificam discretamente os preparativos para o ciclo eleitoral de 2027. Analistas consideram que o silêncio das autoridades diante de acusações desta natureza tende a fragilizar ainda mais a percepção pública sobre a imparcialidade institucional.

Até ao momento, a Polícia Nacional não divulgou qualquer posicionamento oficial sobre as acusações feitas pelo dirigente do PRS.

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