UNITA defende reforma da União Africana e aponta corrupção como travão do progresso de África

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LUANDA (O SECRETO) – A UNITA defendeu uma reforma profunda da União Africana, o fortalecimento da democracia e do Estado de Direito, o combate à corrupção estrutural e às desigualdades sociais, bem como investimentos estratégicos na educação, ciência, tecnologia, saúde e emprego, considerando que estes factores são determinantes para libertar o continente africano dos ciclos persistentes de pobreza, instabilidade e dependência.

O “Jornal O Secreto, apurou que, a posição consta da declaração divulgada pelo Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA, por ocasião do 25 de Maio, Dia de África, data em que o partido aproveitou para saudar os povos africanos e reafirmar o seu compromisso com os princípios da liberdade, da dignidade humana, da democracia, da paz e da justiça social.

No documento, a UNITA faz uma leitura crítica da realidade do continente e afirma que África continua a enfrentar desafios estruturais que comprometem o seu desenvolvimento, apesar das enormes potencialidades humanas, culturais e naturais de que dispõe. O partido identifica como principais obstáculos a fragilidade das instituições públicas, os conflitos armados, os golpes militares e constitucionais, a corrupção sistémica, o desemprego, a pobreza extrema e as desigualdades sociais e regionais.

A formação política sublinha que a abundância de recursos naturais existente em muitos países africanos não se tem traduzido em benefícios concretos para as populações. Na sua análise, este cenário resulta, em grande medida, da má governação, da falta de transparência na gestão dos recursos públicos e da insuficiente consolidação das instituições democráticas.

A UNITA disse ainda que o desenvolvimento sustentável do continente depende da implementação de políticas públicas orientadas para a boa governação, para o respeito dos direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos e para a promoção de uma cultura de responsabilidade e ética no exercício da função pública.

Por outro lado, o partido defende que a educação, a investigação científica e a inovação tecnológica devem assumir um papel central nas estratégias de desenvolvimento dos Estados africanos. A organização adianta que o investimento nestes sectores, associado à criação de emprego digno e justamente remunerado, constitui um dos caminhos mais eficazes para reduzir a pobreza e impulsionar o crescimento económico sustentável.

A nota apela igualmente à emergência de lideranças comprometidas com os interesses dos povos africanos. A UNITA afirma que o continente necessita de dirigentes com visão estratégica e capacidade de responder aos desafios contemporâneos, rejeitando modelos de governação assentes no personalismo político e na defesa de interesses particulares.

Num dos aspectos centrais da declaração, o partido defende a necessidade de reformar a União Africana para reforçar a sua capacidade de intervenção nos domínios da democracia, da paz, da integração económica e da representação dos interesses africanos nos fóruns internacionais. A organização entende que África não pode continuar a ocupar uma posição periférica nos centros de decisão mundial, apesar da sua relevância geopolítica e económica.

No tanto, a UNITA considera que chegou o momento de transformar os recursos naturais do continente em riqueza efectiva para os seus cidadãos e de concretizar os ideais defendidos pelos fundadores do pan-africanismo. Para o partido, o futuro de África passa pela construção de sociedades mais inclusivas, prósperas e democráticas, onde a dignidade humana e o bem-estar colectivo constituam prioridades inegociável.

 

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