Os chefes de Estado da Aliança dos Estados do Sahel (AES) inauguraram nesta terça-feira, 23 de Dezembro de 2025, o Banco Confederado de Investimento e Desenvolvimento (BCID-AES), uma nova instituição financeira criada para impulsionar a integração económica e reforçar a autonomia regional de Mali, Burkina Faso e Níger.
Com sede em Bozola, o BCID-AES nasce para atender uma população estimada em 78 milhões de habitantes e já é apontado como um marco político e económico no Sahel. Diferentemente de outros bancos de desenvolvimento africanos, a instituição foi constituída exclusivamente com recursos internos da Confederação, sem recorrer a empréstimos externos ou ao apoio de potências estrangeiras.
Segundo dirigentes da AES, o modelo de auto-financiamento soberano representa uma ruptura com décadas de dependência de organismos financeiros internacionais e de mecanismos monetários associados ao período colonial. A iniciativa busca garantir maior controle regional sobre prioridades de investimento e políticas de crescimento.
O BCID-AES atuará como principal instrumento financeiro da Confederação, com foco em três áreas estratégicas: financiamento de infraestruturas transfronteiriças, como estradas, ferrovias e redes de energia; promoção da soberania alimentar, por meio de crédito direto a grandes projetos agrícolas; e apoio à exploração de recursos naturais, com o objetivo de assegurar que a riqueza mineral gere benefícios diretos para as economias locais.
Durante a cerimónia de inauguração, um porta-voz da Confederação afirmou que o banco simboliza uma nova etapa para a região. “O BCID-AES demonstra que temos recursos e vontade política para definir o nosso próprio destino. Estamos a construir uma economia por africanos e para africanos”, declarou.
Além do impacto económico, analistas destacam o peso geopolítico da iniciativa. A escolha de Bozola como sede reforça a estratégia de descentralização do poder e a busca por maior coesão territorial. Para os líderes da AES, o banco é também um passo decisivo rumo à criação de uma futura união monetária regional.
Com capital 100% interno e foco no desenvolvimento industrial e na soberania económica, o BCID-AES inicia suas atividades sob grandes expectativas, tanto dentro do Sahel quanto no cenário africano mais amplo.


