LUANDA ( O SECRETO) – A anemia falciforme é uma das doenças genéticas mais comuns em Angola e em toda a África Subsariana. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 1% e 2% das crianças angolanas nascem com a doença, enquanto cerca de 20% da população é portadora do traço falciforme ou seja, carrega o gene alterado sem manifestar sintomas.
Para a especialista em pediatria e hematologia, Dra. Brígida dos Santos, em entrevista exclusiva ao jornal digital ” O SECRETO”, após de ter apontado os dados em uma conferência internacional dos terapeutas, destacando a gravidade e os avanços no combate à anemia falciforme, uma das doenças genéticas mais frequentes em Angola, a médica, avança ainda que, o aumento do diagnóstico precoce tem contribuído para reduzir a mortalidade infantil e melhorar a qualidade de vida dos portadores.
“Antes, muitas crianças morriam sem o diagnóstico. Hoje, com mais informação e melhores condições de diagnóstico, conseguimos identificar e tratar mais casos”, explicou a especialista.
Uma doença genética e crônica
A anemia falciforme é uma doença hereditária que afecta a forma dos glóbulos vermelhos, tornando-os rígidos e em forma de foice, o que dificulta a circulação do sangue e causa crises dolorosas e anemia crônica.
A Dra. Brígida explicou que a condição ocorre quando a criança herda o gene alterado da hemoglobina S de ambos os pais. “Se apenas um dos progenitores tiver o traço falciforme, a pessoa é portadora, mas não manifesta a doença”, esclareceu.
O diagnóstico é feito por meio de um teste laboratorial específico, geralmente após o nascimento. Em Angola, o rastreamento neonatal chegou a envolver mais de 400 mil crianças em Luanda e Cabinda, com cerca de 2% diagnosticadas com a doença. “Ainda há muitas crianças que só são diagnosticadas depois de apresentarem sintomas”, acrescentou.
Casos em crescimento e maior sobrevivência
De acordo com a especialista, pode registar numa estimativa de cerca de mil novos casos por ano no país, nas consultas nos hospitais de especialidades. O aumento não significa necessariamente que a doença esteja a crescer, mas sim, que há mais diagnósticos e mais conhecimento entre os profissionais e a população.
“Hoje temos crianças e adultos a viver com anemia falciforme, algo que há alguns anos era raro. Antes, muitas crianças não sobreviviam até aos cinco anos. Agora, com acompanhamento e medicação adequada, conseguem ter uma vida mais estável”, ressaltou a médica.
Cuidados essenciais e alimentação
O tratamento inclui o uso diário de ácido fólico, antibióticos preventivos até os cinco anos de idade, e cuidados com a higiene pessoal e ambiental. A alimentação equilibrada é outro ponto fundamental.
“Tudo isso contribui para que a criança tenha melhor qualidade de vida, menos crises e possa frequentar a escola e viver de forma mais activa”, afirmou.
O papel da informação e da prevenção
A Dra. Brígida defendeu que o combate à anemia falciforme começa com a informação. “É essencial que as pessoas façam o teste para saber se têm o traço falciforme antes de constituírem família. Assim, podem tomar decisões conscientes e reduzir o risco de transmitir a doença”, aconselhou.
Para a médica, a anemia falciforme é um problema de saúde pública, e o governo deve continuar a investir em campanhas de sensibilização, ampliação do diagnóstico precoce e capacitação das unidades de saúde.
“A informação salva vidas. Quanto mais cedo se souber, melhor é o acompanhamento e menor é o sofrimento”, concluiu.


