O Bitcoin encerrou fevereiro cotado próximo de US$ 65.500, acumulando uma desvalorização de cerca de 26% no mês e ampliando para quase 50% a correção em relação ao pico histórico de US$ 126.000 registrado em outubro de 2025.
O movimento reforça o cenário de fragilidade no mercado de criptoativos e alimenta projeções divergentes sobre a extensão do atual ciclo de baixa.
Entre os analistas, o tom é cauteloso. Willy Woo avalia que o mercado ainda pode buscar um fundo na região de US$ 45.000, projetando que a tendência de enfraquecimento se estenda até o quarto trimestre de 2026. Já a Ned Davis Research trabalha com um cenário mais pessimista, alertando para a possibilidade de o ativo recuar até US$ 31.000 em um eventual “inverno cripto” completo.
Indicadores on-chain reforçam a percepção de pressão vendedora. As reservas de Bitcoin mantidas em exchanges atingiram o maior nível em 15 meses, sinal tradicionalmente associado à maior intenção de venda por parte de investidores. O aumento da oferta disponível nas plataformas de negociação tende a pesar sobre os preços no curto prazo.
Apesar do quadro adverso, há avaliações de que o ajuste ocorre de forma relativamente organizada. A gestora VanEck destacou que, embora a queda seja significativa, a volatilidade permanece abaixo dos níveis observados em mercados baixistas anteriores, o que pode indicar um processo de desalavancagem mais gradual.
O desempenho recente do Bitcoin ocorre em meio a um ambiente macroeconômico desafiador e maior seletividade por parte dos investidores globais. Para o mercado, os próximos meses serão decisivos para confirmar se o ativo encontrará suporte nas faixas projetadas ou se enfrentará uma nova rodada de liquidações mais intensas.


