SÃO PAULO (O SECRETO) – Um hacker utilizou a inteligência artificial Claude, desenvolvida pela Anthropic, para conduzir ataques cibernéticos contra instituições públicas mexicanas, incluindo a autoridade fiscal federal, o instituto eleitoral e governos estaduais, segundo revelou a empresa de cibersegurança Gambit Security.
De acordo com o relatório divulgado pela Gambit Security, o invasor teria recorrido à IA para automatizar a coleta de informações, estruturar campanhas de engenharia social e aperfeiçoar códigos maliciosos. A utilização de modelos avançados de linguagem teria permitido ao atacante produzir comunicações altamente convincentes, simulando linguagem técnica e institucional para enganar funcionários públicos.
Entre os alvos mencionados estão a autoridade fiscal federal do México e o instituto nacional responsável pela organização das eleições, além de diversas administrações estaduais. Até o momento, não foram detalhados publicamente os impactos concretos das invasões, como eventual vazamento de dados sensíveis ou interrupção de serviços.
Especialistas ouvidos pela Gambit destacam que o caso evidencia uma nova etapa no cenário das ameaças digitais: o uso de inteligência artificial generativa como ferramenta de apoio a operações cibernéticas. Embora modelos como o Claude sejam projetados para aplicações legítimas, seu uso indevido por agentes mal-intencionados levanta preocupações sobre segurança, regulação e responsabilidade tecnológica.
As autoridades mexicanas ainda não divulgaram um posicionamento oficial sobre a extensão dos ataques nem confirmaram a abertura de investigações formais. O episódio reacende o debate sobre a preparação dos órgãos públicos frente a ameaças cada vez mais sofisticadas e impulsionadas por inteligência artificial.


