LUANDA (O SECRETO) – Cerca de 124 seguranças da empresa de segurança e reação armada MAMBOJI, LDA – Prestação de Serviços, afeta ao asseguramento de instalações estratégicas no Kwanza Norte, denunciam o não pagamento de salários desde outubro de 2025, bem como a violação de vários direitos laborais.
Os trabalhadores garantem a segurança diária do edifício sede do Banco Nacional de Angola (BNA) em Ndalatando, de todos os balcões do Banco de Poupança e Crédito (BPC) na província, de um posto de abastecimento da Sonangol (bombas de Karianga) e de outros objetivos estratégicos em diferentes municípios. Segundo os operativos, a empresa acumula atrasos salariais que já somam quatro meses, além de não ter pago os subsídios de férias e de Natal, conforme estabelecem os diplomas legais em vigor no país.
Além do atraso nos vencimentos, os seguranças queixam-se da falta de alimentação condigna durante os turnos e de más condições de trabalho. No posto do BNA Kwanza Norte, por exemplo, equipas de dez efetivos cumprem turnos de 24 horas sem material básico de agasalho, como casacos, capas de chuva ou botas adequadas. Cada trabalhador dispõe apenas de um uniforme, utilizado há mais de oito meses.
De acordo com relatos recolhidos, os salários variam entre 68 mil e 89 mil kwanzas mensais, valores considerados baixos face às exigências da função. Os operativos denunciam ainda descontos entre 9 e 12 mil kwanzas por cada falta e o pagamento de apenas 7 mil kwanzas mensais para alimentação. “Estamos desde outubro e novembro sem salário. Temos famílias e não conseguimos sequer garantir o básico, muito menos celebrar a quadra festiva”, lamentou um dos seguranças destacados no BPC, em Ndalatando.
Os trabalhadores apontam o delegado provincial da MAMBOJI no Kwanza Norte, identificado por Samuel, como responsável direto pelos atrasos, alegando que os clientes da empresa já terão efetuado os respetivos pagamentos.
Contactado por este portal, o representante da MAMBOJI na província, actualmente em Luanda em gozo de férias, confirmou a existência de atraso salarial, mas rejeitou as acusações relativas ao não pagamento dos subsídios de férias, Natal e alimentação. Segundo Samuel, a situação deve-se ao incumprimento financeiro de alguns clientes da empresa, facto que, segundo disse, foge ao controlo da direção local.
Enquanto o impasse se mantém, os seguranças continuam a exigir o pagamento imediato dos salários em atraso e melhores condições laborais, alertando para o impacto social da situação nas suas famílias e para os riscos associados à segurança de infraestruturas consideradas vitais na província do Kwanza Norte.


