Peter Cardoso, membro da Comissão de Observação Eleitoral em África, reagiu de forma contundente à recente publicação do secretário-geral da JURA, Nelito Ekuikui, que afirmou nas redes sociais que “a victória só depende do povo e ele está do nosso lado”.
Na resposta, Peter Cardoso considerou a declaração “utópica” e “desligada da realidade política angolana”, afirmando que a victória eleitoral no país não depende exclusivamente da vontade popular. “Meu caro deputado, parece que o senhor está a sonhar de pé, se a victória dependesse apenas do povo, a UNITA estaria no poder desde 2022”, respondeu.a
Cardoso reforçou que, na sua visão, o actual cenário político angolano está marcado pela falta de justiça eleitoral e pelo controlo partidário sobre instituições que deveriam ser independentes. Entre elas, citou a Comissão Nacional Eleitoral (CNE), o Tribunal Constitucional, a comunicação social pública, a Polícia Nacional e as Forças Armadas.
O observador eleitoral acusou ainda o MPLA de beneficiar-se desse “controlo institucional”, que, segundo afirmou, condicionaria a alternância política. “A vitória do MPLA reside nestas instituições instrumentalizadas pelo regime, e vocês da UNITA sabem disso muito bem”, destacou.
Por outro lado, na sua mensagem, defendeu que o foco da oposição deve centrar-se na luta pela democratização das instituições públicas, sem a qual, afirmou, “a alternância do poder continuará no campo dos sonhos”. Para Cardoso, o povo tem cumprido o seu papel nas urnas, citando as eleições de 2022, mas “quem decide a vitória não é o povo, são as instituições públicas colocadas ao serviço de um partido único”.
No entanto, a troca de declarações reacende o debate sobre a confiança no sistema eleitoral angolano e expõe, mais uma vez, as tensões políticas entre jovens líderes da oposição e analistas críticos do actual modelo institucional.


