Analistas defendem maior abertura no congresso do MPLA 

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LUANDA (O SECRETO) – Analistas políticos ouvidos pela Rádio Eclésia defenderam maior abertura e transparência no processo de escolha da liderança do MPLA, numa altura em que apenas a candidatura do Presidente João Lourenço foi formalmente apresentada para o congresso ordinário do partido previsto para Dezembro.

Durante o programa de análise política da emissora Católica da Angola, o jurista e analista Albino Pakissi afirmou que existem sinais de alegados atropelos aos estatutos partidários durante o processo de preparação da candidatura de João Lourenço. Segundo o analista, o apoio institucional manifestado por alguns órgãos do partido pode levantar dúvidas sobre a igualdade de tratamento entre potenciais candidatos.

Pakissi afirma que uma parte considerável dos militantes do MPLA gostaria de assistir a uma disputa interna mais competitiva, com a participação de outros nomes, incluindo o general Higino Carneiro.

O analista sublinha que a existência de mais candidaturas reforçaria a legitimidade democrática do congresso e permitiria aos militantes escolherem livremente o próximo líder da organização política.

O comentador adianta ainda que acredita na possibilidade de surgirem outras candidaturas antes da realização do conclave partidário, defendendo que o processo deve garantir condições de igualdade para todos os concorrentes.

Por outro lado, Pakissi fez um apelo para que o académico e dirigente partidário Esteve Hilário seja poupado das disputas internas, considerando que algumas posições públicas atribuídas ao responsável decorrem mais das suas funções institucionais do que de opiniões pessoais.

Já o analista Mário Sacossengue disse que a qualidade da democracia interna dos partidos políticos tem reflexos diretos na estabilidade política e social do país. O especialista afirma que, sendo Angola um Estado democrático e de direito, os princípios democráticos devem igualmente ser observados no funcionamento das organizações partidárias.

Sacossengue sublinha que não basta que os estatutos prevejam mecanismos democráticos, sendo necessário que estes sejam efetivamente aplicados durante os processos eleitorais internos. O analista considera que a perceção de uma candidatura única pode enfraquecer a imagem de pluralismo e participação defendida pelos próprios partidos.

Por outra, o comentador defende que as estruturas encarregues de organizar o congresso devem assegurar igualdade de oportunidades para todos os candidatos que venham a formalizar as suas pretensões.

O Jornal O Secreto apura que o processo de preparação do congresso do MPLA continua a gerar debates entre militantes e observadores políticos, sobretudo em torno da necessidade de reforçar a transparência e a competitividade interna.

No entanto, até ao momento, João Lourenço permanece como o único candidato oficialmente formalizado para a presidência do partido.

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