LUAND (O SECRETO) – O Comité Permanente da Comissão Política manifestou preocupação com o agravamento da crise social no país, apesar da subida do preço do barril de petróleo no mercado internacional, e apelou ao Executivo para a adoção de medidas urgentes com vista à redução do sofrimento das populações.
No seu posicionamento, o órgão adianta que, face à subida do preço do petróleo, o Executivo angolano deve preparar e submeter à Assembleia Nacional o Orçamento Rectificativo para o exercício de 2026, com o objetivo de ajustar a execução financeira do Estado à atual conjuntura económica.
O Comité sublinha igualmente a sua preocupação com a escassez de combustíveis que se verifica em todo o país e insta o Governo a prestar esclarecimentos sobre a situação, bem como sobre as medidas a serem tomadas para a reposição regular do fornecimento.
A organização avança também que acompanha com apreensão o estado de insegurança em que se encontram muitos angolanos, situação agravada pelas enxurradas ocorridas na província de Benguela e pelo tratamento considerado indigno aos sinistrados. O órgão lamenta ainda as vítimas do desabamento da mina artesanal de ouro na província do Bengo e endereça às famílias enlutadas as mais sentidas condolências.
No mesmo documento, o Comité presta homenagem à vida e obra de Dom Zacarias Kamwenho, Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Lubango, e apresenta à família enlutada e à Igreja Católica os mais profundos sentimentos de pesar.
Por outro lado, o Comité Permanente da Comissão Política manifesta sérias reservas em relação ao último censo realizado em Angola, alegando que vários cidadãos não foram visitados nem registados durante o processo de recolha de dados, facto que, no seu entender, compromete a credibilidade dos resultados finais.
Por outra, o órgão declarou ter verificado com preocupação a incapacidade de atribuição de bilhetes de identidade aos cidadãos, documento fundamental para o exercício do voto, alertando para as implicações cívicas e eleitorais desta situação.
O Comité disse ainda reiterar o seu total engajamento na luta por uma Angola mais democrática, em que os cidadãos se sintam verdadeiramente realizados do ponto de vista político, económico e social. No entanto, defende que esse propósito exige respostas concretas, eficazes e urgentes diante dos principais problemas que afetam a população.


