LUANDA (LUANDA) – O activista e presidente do Movimento Social de Mudança, Francisco Teixeira, apelou aos jovens angolanos para votarem na oposição nas próximas eleições, defendendo que a permanência do MPLA no poder compromete a democracia e o desenvolvimento do país.
As declarações foram feitas, após um encontro com representantes da União Europeia em Angola, durante o qual, segundo o activista, foi apresentado relatório sobre alegadas violações dos direitos humanos, perseguição de activistas e restrições às liberdades fundamentais.
Num momento em que Angola se aproxima de um novo ciclo eleitoral, Francisco Teixeira voltou a colocar em causa o estado da democracia no país.
O Jornal O Secreto apurou que o encontro com representantes da União Europeia serviu para apresentar um documento que, segundo o activista, reúne denúncias de alegadas violações dos direitos humanos e casos de intimidação contra cidadãos com posições críticas em relação ao Executivo.
Francisco Teixeira disse que a alternância política constitui, na sua perspectiva, uma necessidade para fortalecer as instituições democráticas e garantir maior respeito pelas liberdades fundamentais. Sublinha que os jovens representam a maioria do eleitorado e poderão influenciar decisivamente o resultado das próximas eleições.
No relatório apresentado, constam alegações de perseguição contra ativistas, jornalistas, defensores dos direitos humanos e cidadãos que manifestam posições divergentes das autoridades. Afirma que tais situações, caso sejam confirmadas, colocam desafios ao Estado de Direito e à consolidação democrática,
As declarações surgem numa altura em que diversas organizações nacionais e internacionais continuam a acompanhar indicadores relacionados com direitos humanos, liberdade de expressão, participação política e funcionamento das instituições públicas em Angola, temas que frequentemente marcam o debate político interno.
Por outro lado, Francisco Teixeira surpreendeu ao incentivar os jovens a aderirem aos concursos públicos recentemente anunciados pelos Ministérios da Saúde, da Educação e do Interior. Adianta que o desemprego continua a ser uma das principais preocupações da juventude angolana e que milhares de cidadãos não devem abdicar da possibilidade de ingressar na função pública.
Por outra, o activista defendeu que os processos de recrutamento devem ser conduzidos com transparência, imparcialidade e respeito pelo princípio da igualdade, alertando que qualquer suspeita de favorecimento político poderá comprometer a confiança dos cidadãos nas instituições do Estado.
Avança ainda que o combate ao desemprego não pode depender apenas de concursos públicos ocasionais, defendendo políticas estruturantes para estimular o investimento privado, diversificar a economia e criar oportunidades sustentáveis para os jovens.
No entanto, as acusações apresentadas por Francisco Teixeira refletem as declarações e posições do ativista. Até ao encerramento desta edição, o Governo angolano, o MPLA e a Delegação da União Europeia em Angola não tinham reagido publicamente às afirmações nem ao alegado conteúdo do relatório referido pelo líder do Movimento Social de Mudança.


