LUANDA (O SECRETO) – A distribuição das vagas do concurso público do Ministério da Saúde está a ser contestada por sindicatos e pela oposição que acusam o governo do MPLA de ignorar as necessidades reais das unidades sanitárias e de lançar o processo em pleno período pré-eleitoral para influenciar o sentido de voto dos cidadãos tendo sido levantadas acusações de utilização da função pública para alegada compra de consciências e de eventual corrupção eleitoral.
O concurso público lançado pelo Ministério da Saúde continua a alimentar a polémica. Apura o Jornal O Secreto que as críticas incidem tanto sobre os critérios de distribuição das vagas como sobre o momento escolhido para o lançamento do processo, considerado por vários intervenientes como politicamente sensível.
O presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Afonso Quileba, afirma que o concurso foi organizado sem um levantamento técnico das necessidades efectivas de cada unidade sanitária, situação que, segundo disse, compromete o objectivo de reduzir a carência de profissionais no Serviço Nacional de Saúde.
O sindicalista sublinha que a simples distribuição de vagas pelas províncias não resolve os problemas estruturais do sector. Na sua perspectiva, o Ministério da Saúde deveria realizar previamente um estudo sobre o défice de recursos humanos em hospitais, centros e postos de saúde antes de definir o número de admissões.
“Se continuarmos a repetir os mesmos modelos, nunca resolveremos a escassez de profissionais. Haverá hospitais que continuarão sobrecarregados e incapazes de responder às necessidades da população”, afirma.
Por outro lado, o secretário provincial da UNITA em Cabinda, Laurenço Domingos, foi mais longe ao associar o concurso ao calendário político nacional.
O dirigente disse que a abertura de milhares de vagas poucos meses antes das eleições não tem como principal finalidade combater o desemprego, mas sim criar um ambiente favorável ao partido no poder.
Domingos avança que quem obtiver emprego na função pública neste período poderá sentir-se pressionado, moral ou politicamente, a apoiar o MPLA nas urnas, devido à persistente confusão entre partido e Estado.
Na sua leitura, esta prática configura uma alegada forma de “compra de consciências” e pode enquadrar-se como um mecanismo de influência eleitoral, acusações que o Executivo não comentou até ao momento.
No entanto, o Ministério da Saúde sustenta que o concurso integra o plano de reforço dos recursos humanos do Serviço Nacional de Saúde e visa melhorar a assistência médica em todo o país.


