LUANDA (O SECRETO) – Os principais bancos centrais do mundo estão a interromper ciclos de cortes nas taxas de juro diante do aumento das incertezas económicas provocadas pelo conflito no Irã, que volta a pressionar a inflação global.
Na Ásia, o Banco da Coreia decidiu manter a sua taxa diretora em 2,5%. O governador Rhee Chang Yong alertou que a inflação pode “superar consideravelmente” as previsões iniciais, refletindo os impactos indiretos da instabilidade no Médio Oriente, sobretudo nos preços da energia e cadeias de abastecimento.
A tendência é partilhada por outras autoridades monetárias. O Banco da Reserva da Índia (RBI), o banco central do Quénia e o Banco Central Europeu (BCE) também optaram por suspender decisões de flexibilização monetária. No caso europeu, o membro do BCE Pierre Wunsch admitiu inclusive a possibilidade de uma nova subida das taxas já no final de abril, caso as pressões inflacionistas se agravem.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reforçou o clima de cautela ao afirmar que a economia global está “mal preparada” para absorver um novo choque desta natureza. A instituição sinalizou ainda que deverá rever em baixa as projeções de crescimento mundial para 2026, segundo informações divulgadas pela Bloomberg.
Analistas apontam que o agravamento do conflito no Irã pode elevar os preços do petróleo e do gás, dificultando os esforços recentes de controlo da inflação em várias economias. Este cenário força os bancos centrais a manterem políticas mais restritivas por mais tempo, travando expectativas de alívio no crédito e no consumo.
Com a inflação a dar sinais de reaceleração, o ambiente económico global entra numa nova fase de incerteza, em que decisões monetárias passam a depender cada vez mais da evolução geopolítica.


