LUANDA (O SECRETO) — O Governo angolano reforçou a aposta na industrialização da produção agrícola com o lançamento da primeira pedra de uma futura fábrica de processamento de arroz no município de Camanongue, província do Moxico, um investimento privado estimado em três milhões de dólares norte-americanos.
Durante a cerimónia realizada na sexta-feira, o ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira, defendeu que o desenvolvimento económico de Angola depende cada vez mais da capacidade de transformar localmente os produtos agrícolas, reduzindo a dependência das importações e fortalecendo as cadeias de valor nacionais.
Segundo o governante, o país começa a registar o surgimento de iniciativas empresariais capazes de impulsionar a integração entre a produção agrícola e a indústria transformadora. “Não basta produzir ou colher. É necessário industrializar, agregar valor e aumentar a competitividade da economia nacional”, afirmou.
O projecto é promovido pela empresa angolana Food Life e prevê a instalação de uma unidade destinada ao descasque, beneficiamento e embalagem de arroz produzido na região. A iniciativa integra a estratégia do Executivo para expandir a produção nacional e reduzir a factura de importação de um dos cereais mais consumidos pelas famílias angolanas.
Dados apresentados pelo Ministério da Indústria e Comércio indicam que a produção nacional de arroz atingiu 51,4 mil toneladas na campanha agrícola 2024/2025, representando um crescimento de 6,52% face ao período anterior. Apesar da evolução, Angola continua dependente do mercado externo, tendo importado aproximadamente 395 mil toneladas de arroz, num valor superior a 271 milhões de dólares.
Para as autoridades, estes números demonstram o potencial ainda existente para aumentar a produção interna e avançar rumo à autossuficiência alimentar.
A futura fábrica deverá apoiar inicialmente uma área de cultivo de 400 hectares, com previsão de expansão para 3.000 hectares na campanha agrícola de 2026/2027. O projecto prevê ainda o envolvimento de cerca de 200 cooperativas agrícolas numa primeira fase, podendo alcançar posteriormente 5.000 agricultores familiares, em coordenação com o Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).
No plano económico e social, a unidade industrial deverá criar 56 postos de trabalho directos e 100 indirectos, contribuindo para a dinamização da economia local e para o aumento do rendimento das comunidades rurais da província.
Fundada em 2020, a Food Life desenvolve actualmente projectos de produção de arroz nas províncias de Malanje, Moxico e Cuando, além de possuir uma unidade industrial no município de Belas, em Luanda.


