‎Congresso Nacional da Reconciliação Propõe Plataforma de Coesão Social e Reformas Estruturais

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‎O Congresso Nacional da Reconciliação reuniu cerca de 1.000 participantes de todas as províncias do país, de forma presencial e virtual, num encontro dedicado à reflexão sobre a justiça restaurativa, o passado recente do país e a construção de um compromisso comum para o futuro. 

‎Ao longo de dois dias, as sessões diárias registaram entre 500 e 600 intervenientes, tanto em debates ao vivo como através de contributos escritos submetidos ao secretariado.

‎A metodologia do encontro centrou-se no princípio da justiça restaurativa, que procura reconhecer responsabilidades históricas e individuais, reconstruir relações sociais fragilizadas e estabelecer um projeto nacional partilhado. Os participantes organizaram-se por categorias sociais e profissionais, incentivados a refletir sobre o seu papel — individual e coletivo — no actual estado da nação.

‎Na abertura, as conferências orientadoras destacaram duas questões fundamentais que guiaram a reflexão do congresso:

‎1. Que responsabilidades têm os indivíduos e grupos no estado atual da nação?

‎2. Que compromissos podem assumir para a construção de um futuro comum?

‎As respostas recolhidas convergiram para o reconhecimento de uma “culpa histórica” partilhada por diferentes setores políticos, religiosos, civis e institucionais ao longo dos últimos 50 anos. Os participantes reconheceram que a nação apresenta fragilidades profundas, agravadas pela pobreza, desigualdades sociais, desconfiança institucional, cultura de medo e degradação ética. Ainda assim, afirmaram a existência de sinais positivos de desenvolvimento, embora considerados insuficientes para sustentar a coesão social desejada.

‎Diagnóstico Nacional

‎Nos círculos de trabalho, os participantes identificaram:

Altos índices de pobreza e desigualdades persistentes;

‎Fragilidade dos mecanismos de justiça e equidade, afectando a confiança na vida pública;

‎Fragmentação e fragilidade da sociedade civil, com limitações legais e políticas à participação pública;

‎Ambiente institucional desfavorável ao exercício de liberdades fundamentais;

‎Erosão da coesão social, enfraquecendo a capacidade de mobilização coletiva para o bem comum.

‎Propostas e Recomendações

‎De forma convergente, os grupos de trabalho apresentaram propostas estruturais, entre as quais:

Reforma Eleitoral e Institucional

‎Estabelecimento de um tribunal eleitoral independente;

‎Reconfiguração da CNE com personalidades imparciais;

‎Reforço da independência do poder judicial e do Parlamento.

‎Transparência e Gestão Pública

‎Monitoramento público das despesas do Estado;

‎Participação da sociedade civil na formulação e fiscalização do Orçamento Geral do Estado;

‎Criação de mecanismos permanentes de supervisão cidadã.

‎Sociedade Civil e Direitos Humanos

‎Criação de uma rede nacional de defensores de direitos humanos;

‎Fortalecimento das organizações sociais, religiosas, comunitárias e juvenis;

‎Proteção de grupos vulneráveis e promoção da inclusão social.

‎Combate à Corrupção

‎Definição de um paradigma nacional de combate à corrupção e tráfico de influência;

‎Defesa de práticas éticas no exercício da função pública.

‎Compromissos para o Futuro

‎O Congresso acordou na necessidade de:

‎Criar uma plataforma nacional de coesão social;

‎Estabelecer um Instituto Público Autónomo para apoiar iniciativas da sociedade civil;

‎Promover educação cívica, cultura de paz e reconciliação comunitária;

‎Construir uma força cívica autónoma e estratégica, garantindo que a soberania do Estado “resida verdadeiramente no povo”.

‎Participação Setorial

‎Trabalharam no encontro representantes de:

‎Partidos políticos;

‎Conferência Episcopal e outras denominações religiosas;

‎Associações de vida consagrada;

‎Setores da justiça, saúde, educação, economia, comunicação social;

‎Sociedade civil organizada;

‎Defesa e segurança;

‎Autoridades tradicionais.

‎Ao final, os participantes afirmaram que a reconciliação nacional permanece um caminho exigente, mas possível, baseado na coragem do diálogo, na verdade sobre o passado e no compromisso de construir um futuro de paz e justiça. O legado do encontro será aprofundado em fases seguintes, que incluirão consultas públicas e consolidação das propostas em políticas e plataformas de ação.

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