África reforça aposta na cibersegurança e IA

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ADDIS ABEBA (O SECRETO) – A primeira Conferência Internacional sobre Cibersegurança na Era da Transformação Digital e da Inteligência Artificial (IA) reuniu, na capital da Etiópia, líderes políticos, especialistas em tecnologia e parceiros de desenvolvimento de vários países africanos para debater estratégias que garantam uma utilização segura das novas tecnologias no continente. O encontro, apura O SECRETO, destacou a necessidade de investir em inovação, capacitação e cooperação regional para fortalecer a segurança digital e reduzir os riscos associados à expansão da IA.

Sob o lema “Riscos, Resiliência e Imperativos Estratégicos para África”, a conferência foi organizada pela Comissão Económica das Nações Unidas para África (Uneca) e pela Associação Etíope de Cibersegurança (ECySA), criando um espaço de diálogo dedicado à relação entre a cibersegurança e a inteligência artificial.

Na sessão de abertura, a vice-secretária executiva para Apoio a Programas da Uneca, Mama Keita, afirma que a inteligência artificial está cada vez mais no centro da produção de informação e da tomada de decisões, tendo impacto direto na segurança das comunidades africanas.

A responsável sublinha, no entanto, que os benefícios da atual revolução tecnológica não são distribuídos de forma equitativa. Segundo ela, os países que investem em inovação e desenvolvem políticas estratégicas conseguem tirar maior proveito das oportunidades, enquanto os que não acompanham essa evolução correm o risco de permanecer apenas como consumidores de tecnologia.

Por outro lado, o presidente da Associação Etíope de Cibersegurança (ECySA), Berhanu Beyene, disse que a primeira edição do fórum pan-africano marca o início de um diálogo continental permanente, baseado em desafios operacionais concretos e não apenas em abordagens teóricas.

O responsável adianta que a cibersegurança deixou de ser uma preocupação exclusivamente tecnológica para se tornar uma prioridade estratégica para os negócios, a governação, a investigação científica e a soberania dos Estados africanos.

Por outra, os participantes defenderam o reforço da cooperação entre os países do continente para enfrentar as ameaças cibernéticas cada vez mais sofisticadas, bem como a criação de mecanismos comuns de resposta e partilha de conhecimentos.

A conferência, que terminou na quinta-feira, contou com várias sessões dedicadas à proteção de infraestruturas críticas, ao desenvolvimento de ferramentas de defesa baseadas em inteligência artificial, à formação de especialistas e ao fortalecimento da cooperação regional. Os organizadores avançam que o encontro representa um passo importante para consolidar uma visão africana sobre a segurança digital e o uso responsável da inteligência artificial.

No entanto, os participantes alertaram que o sucesso dessa estratégia dependerá da capacidade dos governos, do setor privado e das instituições académicas de trabalharem de forma coordenada para transformar a inovação tecnológica num instrumento de desenvolvimento sustentável e de proteção da soberania digital do continente.

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