LUANDA (O SECRETO) – A Polícia de Guarda Fronteira assinalou 48 anos de existência sob o desafio de transformar o processo de reestruturação, reequipamento e formação anunciado pela Polícia Nacional em capacidade efectiva de resposta nas fronteiras terrestres e marítimas de Angola, numa ocasião em que o Comandante-Geral, Comissário-Geral Francisco Monteiro Ribas, reconheceu a importância estratégica da unidade na defesa da soberania nacional e apelou ao reforço da disciplina, do patriotismo e da preparação dos efectivos
O pronunciamento foi feito Quarta-feira, 26 de Agosto, durante o acto comemorativo do aniversário da corporação, num discurso que voltou a colocar no centro da discussão a capacidade do Estado de garantir uma vigilância eficaz num território com extensas fronteiras e diferentes desafios de segurança.
Francisco Monteiro Ribas destacou o processo de reestruturação e reequipamento da Polícia de Guarda Fronteira, apontando a modernização dos meios, a melhoria das condições de trabalho e a adequação das infraestruturas como medidas necessárias para elevar a capacidade operacional dos efectivos.
Entretanto, o anúncio de investimentos e de melhorias nas estruturas levanta uma questão essencial: em que medida estas mudanças já estão a produzir resultados concretos nas zonas fronteiriças? A resposta não deverá limitar-se aos actos oficiais, devendo ser acompanhada por dados sobre efectivos, meios disponíveis, cobertura territorial, condições das unidades e resultados operacionais alcançados.
A formação permanente também foi apresentada como uma prioridade, com destaque para a preparação ministrada na Escola de Monga. Embora a qualificação dos agentes seja fundamental, permanece igualmente importante perceber se a formação recebida corresponde aos desafios concretos enfrentados diariamente pelos efectivos colocados nas diferentes regiões fronteiriças.
O aniversário da Polícia de Guarda Fronteira serve, por isso, não apenas para homenagear os seus efectivos, mas também para avaliar a eficácia das políticas públicas destinadas à protecção das fronteiras. Entre discursos de reconhecimento e promessas de melhores condições, a realidade operacional no terreno continua a ser o principal indicador da capacidade do Estado.
Ao encorajar os agentes a manterem o espírito de sacrifício, disciplina e dedicação, o Comandante-Geral reafirmou o compromisso institucional de melhorar as condições de trabalho da corporação. Mas, para além das palavras, o verdadeiro desafio estará em garantir que os meios anunciados chegam efectivamente aos efectivos que trabalham nas zonas fronteiriças e que a modernização da estrutura policial se traduz numa resposta mais eficiente.
A celebração dos 48 anos coloca, desta forma, a Polícia de Guarda Fronteira perante uma dupla responsabilidade: preservar a soberania nacional e demonstrar, através de resultados verificáveis, que o investimento anunciado está a fortalecer a segurança das fronteiras angolanas.


