“Alexandre Sebastião André defende união da oposição, sociedade civil e igrejas para travar aquilo que considera ser a manipulação dos resultados eleitorais e alerta que a fiscalização nas mesas, municípios e províncias pode não ser suficiente para controlar o apuramento nacional”.
LUANDA (O SECRETO) — O presidente do PADDA-Aliança Patriótica, Alexandre Sebastião André, lançou um forte alerta sobre o processo eleitoral angolano ao afirmar que os partidos da oposição podem fiscalizar os votos nas mesas, assembleias, municípios e províncias, mas não ter capacidade suficiente para controlar o resultado final, que, segundo denuncia, pode ser “fabricado na sede nacional”.
A declaração, feita em entrevista à Rádio Essencial, colocando no centro do debate a segurança do voto e o controlo do apuramento eleitoral, numa altura em que as forças políticas começam a preparar-se para a disputa do poder.
Para o líder do PADDA, a fragmentação da oposição favorece as condições para aquilo que classifica como “manobras maquiavélicas” destinadas à fabricação de resultados eleitorais. A solução, defende, passa por uma união efectiva dos partidos da oposição, acompanhada pela sociedade civil e pelas igrejas.
Por outro lado, Alexandre Sebastião André sustenta que as forças da oposição devem caminhar “ombro a ombro” para disputar o poder político e implementar as mudanças que defendem, considerando que uma estratégia conjunta poderá aumentar a capacidade de fiscalização e reduzir as possibilidades de alteração dos resultados.
O dirigente partidário, vai mais longe ao advertir que, sem uma união entre as forças políticas, até os próprios actores da oposição poderão acabar por receber resultados que não correspondam à vontade expressa pelos eleitores “Mesmo os actores políticos poderão receber resultados artificiais, resultados não provenientes da vontade desse povo que vota”, afirmou.
A principal interrogação levantada pelo presidente do PADDA está, assim, no percurso do voto depois de encerradas as urnas: Quem controla efectivamente os resultados quando estes deixam as mesas de voto e avançam para os níveis superiores de apuramento?
Na perspectiva apresentada por Alexandre Sebastião André, a fiscalização local não garante, por si só, o controlo total do processo. É neste ponto que sustenta a necessidade de uma frente comum da oposição, capaz de acompanhar o processo eleitoral em todas as suas etapas.
O presidente do PADDA defende ainda que a participação da sociedade civil e das igrejas poderá reforçar a exigência de transparência e contribuir para que os resultados anunciados correspondam à vontade dos eleitores, que considera os verdadeiros “donos da soberania de Angola”.
No entanto, as declarações do dirigente político colocam sob pressão o debate sobre a transparência do apuramento eleitoral e deixam uma questão que promete marcar a preparação das próximas eleições: se os partidos conseguem fiscalizar o voto na mesa, mas alegadamente não conseguem controlar o resultado nacional, onde termina a fiscalização e começa o poder de decisão sobre os resultados?
Para Alexandre Sebastião André, a resposta passa pela união. “É a razão porque é sempre bom essa união”, concluiu.


